Publicado em 11/07/2026 · Atualizado em 11/10/2026 · Abertura de Empresa

Quanto tempo leva para abrir uma empresa?

Por Equipe Pescara Contabilidade · Revisado por Plínio Rossi — Contador responsável técnico (CRC SP 1SP218296/O-0) · Política editorial

Mão com caneta vermelha risca mais um quadrado de um calendário de parede já com duas fileiras marcadas com X, num salão comercial vazio com chaves penduradas ao lado.

Depois do custo, a segunda pergunta de quem vai formalizar é: quanto tempo leva para abrir uma empresa? A resposta realista é de 5 a 15 dias úteis para os casos mais comuns — mas o prazo muda conforme o porte, o município e a atividade. Para o MEI, é imediato; para uma sociedade com sócios e vistoria, pode passar de 30 dias. Abaixo, o tempo de cada etapa e o que faz o relógio andar mais rápido ou travar.

Prazo por tipo de empresa

TipoPrazo típico
MEINa hora (online)
Empresário Individual / SLU5 a 15 dias úteis
Sociedade (LTDA)até 30 dias úteis

O MEI é a única abertura instantânea: o registro sai na hora pelo Portal do Empreendedor, sem custo e sem contador obrigatório. Para os demais portes, o prazo é a soma de etapas em órgãos diferentes — Junta Comercial, Receita Federal, prefeitura e, quando há venda de produto, a Secretaria da Fazenda estadual.

Passo a passo (e o tempo de cada etapa)

Em São Paulo, o registro na JUCESP depende da documentação e da análise do contrato. A definição da natureza jurídica, do CNAE e do regime, assim como o licenciamento municipal, também influencia o prazo total.

Que documentos você precisa ter em mãos

  • Documento de identidade e CPF dos sócios (ou do titular);
  • Comprovante de endereço da empresa — próprio, alugado ou endereço fiscal, quando a atividade permite;
  • Contrato social ou requerimento de empresário, elaborado pelo contador;
  • Descrição das atividades, que vira o CNAE principal e os secundários.

Ter isso pronto antes de dar entrada é o que mais reduz o prazo: cada correção de documento reinicia parte da fila nos órgãos.

O que costuma atrasar?

Documentação incompleta, atividade que exige vistoria (Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros) ou alvará especial, e escolha errada de CNAE que precisa ser refeita. Endereço em zona não permitida para a atividade também trava o alvará. Fazer a parte técnica certa desde o início encurta o prazo — refazer no meio do processo é o que mais custa dias.

Dá para acelerar?

Sim: separando os documentos antes, usando endereço fiscal quando a atividade permite e deixando a definição de regime e CNAE com o contador. Atividade classificada como de baixo risco dispensa os atos públicos de liberação para funcionar, o que corta a etapa mais imprevisível. O custo detalhado está em quanto custa abrir empresa, e a parte técnica em preciso de contador para abrir empresa.

Referência oficial das etapas e do Portal do Empreendedor: gov.br — Empreendedor.

A linha do tempo, dia a dia

Para uma empresa de serviço de baixo risco, com documentação pronta e sócios com assinatura digital, o relógio anda mais ou menos assim:

EtapaQuandoQuem conduz
Consulta de viabilidade (endereço + atividade)D+0 a D+2Contador, no portal da prefeitura
Coleta de dados e assinatura dos atosD+1Contador e sócios
Registro na Junta ComercialD+2 a D+5JUCESP
CNPJSai com o deferimento do registroReceita Federal
Inscrição municipal e licenciamentoD+5 a D+15Prefeitura
Habilitação da nota fiscal1 a 3 dias após a inscriçãoPrefeitura (ISS) ou Sefaz (ICMS)

Repare que o CNPJ não tem fila própria: ele é emitido junto com o deferimento do registro, porque os órgãos trocam dados pela REDESIM — a rede que integra Junta Comercial, Receita Federal, estado e município, criada pela Lei 11.598/2007. É por isso que a parte federal quase nunca é o gargalo da abertura.

Por que a viabilidade decide o prazo

A consulta de viabilidade é o pedido em que a prefeitura confirma, antes de qualquer registro, duas coisas: se o endereço aceita aquela atividade (zoneamento) e qual o grau de risco dela. É a etapa mais imprevisível justamente porque não depende de documento — depende do que a cidade permite naquele lote.

O grau de risco muda tudo o que vem depois. Atividade classificada como de baixo risco é dispensada de atos públicos de liberação para começar a funcionar — é o que prevê a Lei da Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019). Quem classifica o risco é a lei local; na falta dela valem o ato do Executivo federal e, subsidiariamente, a Resolução CGSIM 51/2019. Nesse caso o licenciamento deixa de ser fila e vira formalidade. Atividade de risco médio ou alto entra em vistoria de Vigilância Sanitária ou Corpo de Bombeiros, e aí o prazo passa a depender da agenda do órgão, não da sua pressa.

Em Cerquilho

Cerquilho segue o desenho estadual: o registro passa pela JUCESP (veja os documentos para abrir empresa em Cerquilho), e a parte federal é idêntica em qualquer lugar do país. O que muda de uma cidade para a outra — e de um endereço para o outro dentro da mesma cidade — é o licenciamento: zoneamento e classificação de risco são definidos por cada prefeitura. Por isso a mesma atividade pode abrir em poucos dias num endereço e travar em outro, em zona que não a comporta. Conferir isso antes de assinar contrato de aluguel evita a pior das esperas, que é a de recomeçar.

O que reinicia a contagem

  • Exigência na Junta — objeto social incompatível com o CNAE, ou cláusula faltando no contrato, volta como exigência e o processo só anda depois do reenvio;
  • Endereço sem zoneamento para a atividade — a viabilidade é indeferida e tudo recomeça com outro endereço;
  • CNAE trocado depois da viabilidade — muda o grau de risco e o licenciamento volta ao início;
  • Divergência cadastral entre os documentos e a base da Receita (nome, CPF, endereço do sócio).

Nenhuma dessas é fila de órgão público: são retrabalhos. É essa a diferença prática entre abrir em 5 dias e abrir em 30 — e é também a parte do prazo que está sob o seu controle.

Perguntas frequentes

Abrir MEI é imediato mesmo?

Sim, o CNPJ do MEI sai na hora pelo Portal do Empreendedor. As demais empresas levam alguns dias.

Preciso ir a cartório?

Na maioria dos casos, não. A abertura é digital, com assinatura eletrônica.

Posso vender antes de a empresa estar 100% aberta?

Só depois do CNPJ ativo e da nota fiscal habilitada. Vender antes, no CPF, gera risco fiscal.

O prazo conta a partir de quando?

Do momento em que a documentação completa entra na Junta. O tempo de reunir documentos e definir CNAE e regime, antes disso, depende de você e do contador.

Posso usar meu endereço residencial?

Depende do zoneamento do município e, em condomínio, da convenção. Atividades sem atendimento ao público e sem circulação de mercadoria costumam ser aceitas; quando não são, o endereço fiscal resolve sem travar a abertura.

Em que momento se opta pelo Simples Nacional?

Isso mudou, e mudou duas vezes. Para a empresa em início de atividade, a opção passou a ser feita junto com a solicitação de inscrição no CNPJ, pelo Portal da REDESIM — a regra antiga, dos 30 dias contados da última inscrição, foi revogada pela Resolução CGSN 183/2025. E quem não opta nessa etapa espera o período regular, que também saiu de janeiro: para o ano de 2027, a opção vai de 1º de setembro a 15 de outubro de 2026 (Resolução CGSN 186/2026, alterada pela 194/2026). Perder a janela custa o ano inteiro no regime errado, por isso a decisão de regime precisa estar tomada antes de dar entrada no CNPJ.


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